Um problema bem formulado
é um problema meio resolvido.
Charles Kettering
Um dos pioneiros e, até hoje, dos mais importantes estudiosos da
inovação, Chris Freeman (1982), da University of Sussex (Reino Unido),
alertava, já há mais de duas décadas, que
um dos problemas em gerir a
inovação é a variedade de entendimentos que as pessoas têm desse termo,
freqüentemente confundindo-o com invenção. [...] Inovação
é o processo de tornar oportunidades em novas idéias e colocar estas em prática
de uso extensivo.
Três equívocos conceituais freqüentes no entendimento da inovação
tecnológica merecem tratamento: reducionismo (considerar inovação apenas
a de base tecnológica), encantamento (considerar inovação tecnológica
apenas a espetacular) e descaracterização (relaxar o requisito de
mudança tecnológica dessa inovação).
"Inovação
tecnológica" é uma espécie do gênero "inovação". Como se
depreende da citação anterior de Freeman, inovação é um fenômeno marcadamente
socioeconômico, que envolve mudanças e empreendedorismo. E não, como muitos
supõem, uma ocorrência de caráter predominantemente técnico e necessariamente
decorrente de avanços singulares das ciências experimentais.
Na expressão do conhecido pensador da Administração, Peter Drucker
(1986),
A inovação [...]
não precisa ser técnica, não precisa sequer ser uma 'coisa'. Poucas inovações
técnicas podem competir, em termos de impacto, com as inovações sociais, como o
jornal ou o seguro. As compras a prazo literalmente transformaram as economias.
Há, evidentemente, um espaço relevante para a inovação derivada de
conquistas científicas e do progresso técnico. Drucker (1986), ao recomendar o
monitoramento de sete fontes para uma oportunidade inovadora, destaca uma
fonte, que é o conhecimento novo:
A inovação baseada no conhecimento
é a 'superestrela' [...] Ela é o que as pessoas normalmente
querem dizer quando falam sobre inovação. [...] As inovações baseadas no
conhecimento diferem das demais inovações em suas características básicas
[...] e nos desafios que apresentam para o empreendedor. E, como a maioria
das 'superestrelas', a inovação baseada no conhecimento é temperamental,
caprichosa e difícil de controlar.
Toda inovação envolve mudanças. A inovação tecnológica é
caracterizada pela presença de mudanças tecnológicas em produtos (bens ou
serviços) oferecidos à sociedade, ou na forma pela qual produtos são criados e
oferecidos (que é usualmente denominada de inovação no processo). Inovações
tecnológicas em produto e processo evidentemente não se excluem mutuamente; pelo
contrário, podem se combinar, como, por exemplo, na comercialização de DVDs
(produto inovador) pela Internet (processo inovador).
Uma outra classificação, de interesse para as políticas públicas -
incluindo as de fomento à inovação - e para a gestão, busca lidar com o
espectro de inovações tecnológicas no que se refere ao grau da mudança
envolvida. Essa grande variedade leva à conhecida categorização das inovações
em incrementais, radicais ou transformadoras (também chamadas de
revolucionárias).

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