Presidentes
e outros executivos me pedem que transformem seus gerentes e equipes em
“máquinas de prevenir e de solucionar problemas”. Afinal de contas, qual é a
maior atribuição de um gerente a não ser resolver problemas?
Faz parte do meu trabalho como consultor implantar o método
para solucionar problemas (ou falhas ou não conformidades) nas empresas onde
atuo. Presidentes e outros executivos me pedem que transformem seus gerentes e
equipes em “máquinas de prevenir e de solucionar problemas”. Afinal de contas,
qual é a maior atribuição de um gerente a não ser resolver problemas? Mesmo uma
meta a ser alcançada é um problema. Alguns a chamam de oportunidade, outros de
melhoria, mas o certo é que atingir uma meta também é um problema,
independentemente do nome. Disto ninguém duvida.
A técnica é simples, baseia-se no método científico: identificar o problema,
descobrir as causas fundamentais e elaborar um plano de ação que atue nestas
causas de forma a evitar a ocorrência ou a repetição do problema. Obviamente, o
plano deverá ser executado, ajustado, checado e, se for eficaz, alterar o
processo em vigor. Se
o plano não for eficaz, volta-se para a análise das causas. Junto com o método
científico, algumas ferramentas são ensinadas, desde as mais simples (diagrama
de causa e efeito, análise de Pareto etc.) até as mais sofisticadas técnicas
dos seis sigma (análise de variância, planejamento de experimentos etc.).
Nos apelidos que consultorias, escritores e escolas de gestão dão a este método
estão termos bastante conhecidos de quem vive o ambiente corporativo, como MASP
(método de análise e solução de problemas), tratamento de não conformidades
(popularizado pela ISO 9001 e outras normas), análise de falhas (onde o Failure
Mode and Effect Analysis – FMEA é a ferramenta mais difundida), DMAIC (define –
measure – analyze – improve – control), tratamento de anomalias e o próprio
PDCA (plan – do – check – act). Se você confunde e até odeia todas estas siglas
e “palavrões”, não se preocupe. Aviso aos desavisados: é tudo a mesma coisa, ou
seja, são todas siglas e “palavrões” similares ao método científico – definir o
problema, identificar as causas fundamentais e elaborar plano de ação corretivo
ou preventivo sobre estas causas, como já havia conceituado no segundo
parágrafo deste texto.
Apesar da simplicidade do método, a realidade é bem dura: a maioria esmagadora
de gerentes e suas equipes não usa o método científico. Empresas que já
implantaram sistemas de gestão, muitos destes certificados por normas como ISO
e outras, usam precariamente a solução de problemas. O resultado é previsível:
problemas recorrentes e desperdício garantido de dinheiro e tempo.
Duas causas principais para esta situação:
1ª) ATITUDE:
· As pessoas têm medo e gostam de ocultar os
problemas. Triste realidade. Por favor, não a ignore. Se você pensa o
contrário, você é um ingênuo de carteirinha.
· As pessoas procuram parecer sempre “inocentes” e
não gostam de assumir seus próprios erros. Nos trinta anos que tenho de
vivência no mundo das corporações, raramente ouvi alguém encher o peito e dizer
“eu errei”. Portanto, as pessoas procuram distorcer dados e colocar a culpa
sempre nos colegas.
· As pessoas têm pavor de registros. Estes são
evidências dos problemas e dos seus responsáveis. Elas procuram eliminar as
provas. Por isto, há uma enorme dificuldade em convencer profissionais a
escrevem seus problemas e suas falhas.
· As pessoas desenvolvem rapidamente um submundo
nos seus departamentos. Acobertam erros de colegas próximos esperando também
serem beneficiadas pela mesma tolerância em futuro próximo. A legítima cultura
do presídio: ocultar e ser ocultado.
· As pessoas são vingativas. “Ai de quem
apontar um erro meu!”. “Apontarei dois dele!”. O resultado prático é que
ninguém aponta o erro de ninguém e os problemas permanecem.
Achou que eu “peguei pesado” e que não é exatamente assim?
Repito: você é ingênuo ou está incluído nas categorias citadas acima. Há
exceções? Sempre há, talvez algum número ente 10 % e 20 %. Nas melhores
empresas, 30 %!
2ª) CONHECIMENTO TÉCNICO:
· As pessoas não sabem identificar causas e
elaborar soluções na forma de plano de ação porque não conhecem suficientemente
o processo. Acha que não? Você é um tolo se acha que sua empresa está recheada
de especialistas e de gênios nos setores onde atuam. A maioria dos
profissionais tem conhecimento médio ou bom nos processos onde trabalha,
conhecimento muitas vezes insuficiente para a solução de problemas crônicos. E
pior: eles não gostam de admitir esta deficiência.
· Os processos de treinamento da maioria das
organizações são extremamente deficientes, o que só agrava o problema descrito
no item anterior: falta de conhecimento.
Então, o que fazer, senhor consultor?
1º ) Entender e reconhecer que tudo o está escrito neste texto acontece em sua
empresa.
2º ) Melhorar substancialmente a descrição de cargos e de perfis.
3º ) Padronizar urgentemente os processos de sua empresa.
4º ) Melhorar profundamente o seu processo de recrutamento e seleção.
5º ) Implantar avaliação de desempenho trimestral (no máximo).
6º ) Ter um gerente de RH “espetacular”, nada menos do que isto.
7º ) Entender e divulgar QUE TODO PROBLEMA TEM SOLUÇÃO.
8º ) Entender e divulgar que NUNCA A CAUSA DE UM PROBLEMA PODE SER ATRIBUÍDA AO
MEIO EXTERNO. Embora o meio externo (governo, bancos, concorrentes, clima,
câmbio etc.) agridam sua empresa, você sempre deve pensar porque você está tão
vulnerável a estas agressões. A culpa é sempre sua, é sempre dos processos
internos da organização.
9º ) Desenvolver a cooperação entre áreas, não tolerando quem só pensa “no seu
umbigo” e é desleal com os colegas. Trabalho em equipe é fundamental.
10º ) Proibir frases como “NÃO DÁ” ou “NÃO TEM SOLUÇÃO” OU ‘SEMPRE FOI ASSIM”.
Paulo Ricardo Mubarack - Presidente da Mubarack Consulting & Business
School