quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A solução de problemas não pode ser um problema


Presidentes e outros executivos me pedem que transformem seus gerentes e equipes em “máquinas de prevenir e de solucionar problemas”. Afinal de contas, qual é a maior atribuição de um gerente a não ser resolver problemas?



Faz parte do meu trabalho como consultor implantar o método para solucionar problemas (ou falhas ou não conformidades) nas empresas onde atuo. Presidentes e outros executivos me pedem que transformem seus gerentes e equipes em “máquinas de prevenir e de solucionar problemas”. Afinal de contas, qual é a maior atribuição de um gerente a não ser resolver problemas? Mesmo uma meta a ser alcançada é um problema. Alguns a chamam de oportunidade, outros de melhoria, mas o certo é que atingir uma meta também é um problema, independentemente do nome. Disto ninguém duvida.

A técnica é simples, baseia-se no método científico: identificar o problema, descobrir as causas fundamentais e elaborar um plano de ação que atue nestas causas de forma a evitar a ocorrência ou a repetição do problema. Obviamente, o plano deverá ser executado, ajustado, checado e, se for eficaz, alterar o processo em vigor. Se o plano não for eficaz, volta-se para a análise das causas. Junto com o método científico, algumas ferramentas são ensinadas, desde as mais simples (diagrama de causa e efeito, análise de Pareto etc.) até as mais sofisticadas técnicas dos seis sigma (análise de variância, planejamento de experimentos etc.).

Nos apelidos que consultorias, escritores e escolas de gestão dão a este método estão termos bastante conhecidos de quem vive o ambiente corporativo, como MASP (método de análise e solução de problemas), tratamento de não conformidades (popularizado pela ISO 9001 e outras normas), análise de falhas (onde o Failure Mode and Effect Analysis – FMEA é a ferramenta mais difundida), DMAIC (define – measure – analyze – improve – control), tratamento de anomalias e o próprio PDCA (plan – do – check – act). Se você confunde e até odeia todas estas siglas e “palavrões”, não se preocupe. Aviso aos desavisados: é tudo a mesma coisa, ou seja, são todas siglas e “palavrões” similares ao método científico – definir o problema, identificar as causas fundamentais e elaborar plano de ação corretivo ou preventivo sobre estas causas, como já havia conceituado no segundo parágrafo deste texto.

Apesar da simplicidade do método, a realidade é bem dura: a maioria esmagadora de gerentes e suas equipes não usa o método científico. Empresas que já implantaram sistemas de gestão, muitos destes certificados por normas como ISO e outras, usam precariamente a solução de problemas. O resultado é previsível: problemas recorrentes e desperdício garantido de dinheiro e tempo.

Duas causas principais para esta situação:

1ª) ATITUDE:

·          As pessoas têm medo e gostam de ocultar os problemas. Triste realidade. Por favor, não a ignore. Se você pensa o contrário, você é um ingênuo de carteirinha.
·          As pessoas procuram parecer sempre “inocentes” e não gostam de assumir seus próprios erros. Nos trinta anos que tenho de vivência no mundo das corporações, raramente ouvi alguém encher o peito e dizer “eu errei”. Portanto, as pessoas procuram distorcer dados e colocar a culpa sempre nos colegas.
·          As pessoas têm pavor de registros. Estes são evidências dos problemas e dos seus responsáveis. Elas procuram eliminar as provas. Por isto, há uma enorme dificuldade em convencer profissionais a escrevem seus problemas e suas falhas.
·          As pessoas desenvolvem rapidamente um submundo nos seus departamentos. Acobertam erros de colegas próximos esperando também serem beneficiadas pela mesma tolerância em futuro próximo. A legítima cultura do presídio: ocultar e ser ocultado.
·          As pessoas são vingativas. “Ai de quem apontar um erro meu!”. “Apontarei dois dele!”. O resultado prático é que ninguém aponta o erro de ninguém e os problemas permanecem.

Achou que eu “peguei pesado” e que não é exatamente assim? Repito: você é ingênuo ou está incluído nas categorias citadas acima. Há exceções? Sempre há, talvez algum número ente 10 % e 20 %. Nas melhores empresas, 30 %!

2ª) CONHECIMENTO TÉCNICO:

·   As pessoas não sabem identificar causas e elaborar soluções na forma de plano de ação porque não conhecem suficientemente o processo. Acha que não? Você é um tolo se acha que sua empresa está recheada de especialistas e de gênios nos setores onde atuam. A maioria dos profissionais tem conhecimento médio ou bom nos processos onde trabalha, conhecimento muitas vezes insuficiente para a solução de problemas crônicos. E pior: eles não gostam de admitir esta deficiência.
·      Os processos de treinamento da maioria das organizações são extremamente deficientes, o que só agrava o problema descrito no item anterior: falta de conhecimento.

Então, o que fazer, senhor consultor?

1º ) Entender e reconhecer que tudo o está escrito neste texto acontece em sua empresa.

2º ) Melhorar substancialmente a descrição de cargos e de perfis.

3º ) Padronizar urgentemente os processos de sua empresa.

4º ) Melhorar profundamente o seu processo de recrutamento e seleção.

5º ) Implantar avaliação de desempenho trimestral (no máximo).

6º ) Ter um gerente de RH “espetacular”, nada menos do que isto.

7º ) Entender e divulgar QUE TODO PROBLEMA TEM SOLUÇÃO.

8º ) Entender e divulgar que NUNCA A CAUSA DE UM PROBLEMA PODE SER ATRIBUÍDA AO MEIO EXTERNO. Embora o meio externo (governo, bancos, concorrentes, clima, câmbio etc.) agridam sua empresa, você sempre deve pensar porque você está tão vulnerável a estas agressões. A culpa é sempre sua, é sempre dos processos internos da organização.

9º ) Desenvolver a cooperação entre áreas, não tolerando quem só pensa “no seu umbigo” e é desleal com os colegas. Trabalho em equipe é fundamental.

10º ) Proibir frases como “NÃO DÁ” ou “NÃO TEM SOLUÇÃO” OU ‘SEMPRE FOI ASSIM”.


Paulo Ricardo Mubarack - Presidente da Mubarack Consulting & Business School
www.administradores.com.br 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Gestão da Qualidade Total (TQM)

Vale lembrar que qualidade total representa muito mais que um produto físico. Na perspectiva do cliente, não apenas o produto precisa incorporar os elementos desejados, como também o produto precisa estar disponível de forma precisa e condizente. A qualidade é, portanto, uma responsabilidade de todos em uma organização. 

A Gestão da Qualidade Total (TQM) é uma filosofia e um sistema de gestão centralizado no atendimento às exigências dos clientes, em todos os departamentos e funções da organização, seja o cliente interno, externo ou intermediário, usuário final ou consumidor. Apesar de ferramentas e metodologias específicas aplicadas na TQM estarem além do escopo deste texto, os elementos conceituais são: (1) compromisso e apoio máximos por parte da alta administração; (2) foco no cliente, no produto, no serviço e no processo de projeto; (3) integração dentro e entre organizações; e (4) compromisso com melhoria continua.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A qualidade compensa

Ao adquirir um produto, o que primeiramente você observa?

Quando a qualidade de um produto ou serviço satisfaz nossas expectativas é considerada boa qualidade e em caso contrário, quando nos desaponta é considerada má qualidade, não é mesmo? Porém, a análise da qualidade do produto será diferente para cada pessoa, cada um terá a sua opinião.

Um número cada vez maior de empresas reconhecem que é melhor investir na qualidade, do que tentar buscar alternativas para a má qualidade. A má qualidade afeta a imagem da empresa e o custo é altíssimo. Para Möller, a qualidade sempre custa menos que a alternativa. O investimento em qualidade está relacionado com o futuro da organização. Muitas empresas por não estarem atentas a esses aspectos da qualidade, gastam de 20 a 30% do seu faturamento para corrigir, reparar, lidar com retrabalhos e resolver problemas internos e reclamações de clientes. 

Claus Möller (1992) um estudioso da qualidade afirma que a maioria dos consumidores não reclamam, simplesmente mudam de fornecedor. A qualidade deve ser desenvolvida e preservada nos indivíduos, nos departamentos e em todas as áreas.

De acordo com Möller (1992, p. 5), “colocar as pessoas em primeiro lugar e qualidade pessoal, ambos conceitos da TMI (Time Manager International) e suas respectivas filosofias, métodos e ferramentas, representam uma revolução no campo do desenvolvimento da qualidade”. Porém esta revolução a que Möller se refere, é uma revolução na consciência do que é qualidade, que se traduz numa nova forma de pensar e enxergar o que é qualidade, esta nova visão contempla também a qualidade do indivíduo e seus esforços. Essa nova forma de pensar a qualidade amplia e acresce a importância do cuidado nas relações humanas, na melhoraria da comunicação, do desenvolvimento do espírito de equipe e manutenção de padrões éticos elevados.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

IMPLICAÇÕES ÉTICAS NA DESIGUALDADE SOCIAL


Atualmente, falamos muito em crises. Padecemos sob as crises na economia, crise energética, social, educacional, moral, ecológica e espiritual. Em meio a essas crises, destacamos a existência das empresas com seus empresários permeando o sucesso como única meta a ser atingida. Onde a produtividade do passado procurou aliar qualidade à velocidade da produção para poderem competir no mercado internacional; a ansiedade habita esse contexto. Produz-se mais e melhor, em pouco tempo, para vender mais e, assim, se pode adquirir bens e auferir lucros a partir do trabalho do operário. Entretanto, sobram operários, pois o crescente número de máquinas reduzem a mão-de-obra humana e aumentam a produção e conseqüentemente o lucro. O empresário pensa em lucros e, ao mesmo tempo, em competir. Precisa estar à altura, no mercado financeiro, da comunidade econômica da qual participa, o que o leva a ostentar opulência e a sofrer o medo dos reveses dos tempos de crise. Já as pessoas desfavorecidas economicamente encontram-se como as principais vítimas dessa sociedade de consumo, envolvidas na roda viva do ter que trabalhar mais e mais, incluindo tempo extraordinário para poder sobreviver e consumir os
bens que a sociedade tecnicista oferece. Trabalha mais e mais, para comprar mais. 

O tempo passa e ele compreende que lhe falta cada vez mais. Falta tempo para viver mais e melhor com a família, falta o conforto tão almejado. Antes disso, ressente-se da falta do essencial: moradia, salário digno e boas condições de trabalho. Em meio a ostentação na vida de empresários e as privações de recursos na população desfavorecida economicamente, refletimos sobre a ética do sucesso, do “tirar vantagem de tudo”, numa sociedade de consumo com as atuais características que leva a crises profundas, instalando-se um mundo novo, mundo das incertezas, dos blocos econômicos, da redefinição da ordem mundial.

ÉTICA NA FORMAÇÃO PROFISSIONAL – UMA REFLEXÃO


Neste século encontramos muitos desafios, entre os quais destacamos os aspectos éticos trazendo mudanças de paradigmas que nos levam a repensar as ações em nosso cotidiano. Com efeito, nossa reflexão diz respeito à tão destacada crise de valores éticos que tem estado presente no decorrer dos últimos anos e que poderá influenciar na formação profissional. As pessoas, seja qual for a origem social, têm vivido sob influência dos aspectos éticos disseminados na sociedade. Constatamos a valorização dos bens materiais e da obtenção de recursos financeiros em detrimento de solidariedade e do respeito ao outro.   


Destacamos os avanços científico-tecnológicos como contribuintes para o individualismo e o anti-socialismo
de pessoas que os utilizaram de forma inadequada. Atrelado a esse panorama, encontramos o culto ao corpo e a longevidade da população influenciando a mudança nos hábitos e estilos de vida. Em contrapartida, ainda temos pessoas vivendo em condições miseráveis. É preciso que tenhamos a mente aber ta para compreender a dimensão da ética e sua dinâmica no mundo e com as pessoas de diferentes culturas, sendo necessário um olhar para “uma ética da complexidade, da cumplicidade e da (com) paixão, requer que repensemos as idéias de prudência, temperança e desprendimento”. 

Diante das mudanças que ocorrem na sociedade e os valores que nela são cultuados, é inegável, por exemplo, a dimensão ética no trabalho educativo, mas seria tão absurdo quanto injusto exigir dos professores virtudes éticas maiores do que as da sociedade, a qual lhes dá a incumbência de ensinar. Assim, queremos estimular questionamentos concernentes à formação do profissional na sociedade, enfatizando a ética como condição primordial para os futuros profissionais, haja vista que a ética acontece no interior do ser humano e se verifica a partir do momento em que questionamos a ação ou conduta praticada ou que se pretende praticar, como uma maneira de controle interno da ação humana.